Capitulo II- A descoberta
Tinham-se passado vários meses até que o verão chegou, o dia tinha outra cor, ouvia-se pequenos pássaros de todas as cores a cantar e as flores maiores que nunca.
Nesse dia de verão sentia-me completamente sozinha, a minha nova e única amiga teve de se ausentar. A pior parte do dia foi a hora de almoço, centenas de alunos a correr formando uma fila que quase chegava fora do edifício. A cantina tinha azulejos pretos e cor-de-rosa e estava quase sempre cheia, e naquele dia não era excepção.
Parada no meio da cantina, com o tabuleiro na mão, olhava a meu redor para encontrar um lugar, passando pelo meio de todas aquelas pessoas consegui uma mesa, mas estava ocupada por um rapaz, parecia ser alto, magro, tinha cabelo castanho e olhos claros. Era e criatura mais linda que eu alguma vês vira!
Ele estava sentado numa ponta da mesa e eu sentei-me noutra. Recusei-me a olhar para ele directamente mas não consegui resistir, olhei-o fixamente, como se ele fosse a única estrela que existira no mundo, ele reparou e ficou incomodado, eu queria pedir-lhe desculpa mas faltou-me e coragem e a vergonha apoderou-se de mim…
Levantamo-nos os dois em simultâneo para alcançar o jarro da água, que se encontrava no meio da mesa. A minha mão tocou na dele e deixei cair o jarro, espalhando toda a água que nele havia. As suas mãos eram geladas e a sua pele era tão branca como a neve, nesse instante ganhei coragem para lhe pedir desculpa mas quando olhei para trás ele tinha desaparecido.
Acabou as aulas e fui para casa, passei o caminho todo a pensar como terá ele ficado, porque é que as suas mãos eram geladas e a sua pele tão branca.
Cegada a casa cumprimentei a Sílvia e a minha pequena irmã e fui para o meu quarto fazer os trabalhos de casa, entretanto aquele rapaz invadiu-me os meus pensamentos mas fui obrigada a tira-lo da cabeça porque tinha teste no dia seguinte. Amanheceu, era sexta-feira 13, normalmente era dia de azar mas eu nunca fui muito de ligar a essas coisas por isso fiz de tudo para que o dia corresse normalmente, mas não correu.
Cheguei a escola mas não estava ninguém, comecei a pensar que talvez fosse feriado…
De repente ouço uma voz de um tom suave e meigo a gritar o meu nome, segui o som que me levou a uma escura e sombria floresta. Avancei um pouco mas o medo apoderou-se de mim.
Finalmente enchi-me de coragem e entrei naquela floresta. De repente aquela imagem que tinha daquela floresta desapareceu … Fiquei deslumbrada com o que vi, nessa floresta havia uma gigante cascata e montes de flores de todas as cores.
Mas ainda faltava descobrir de quem e de onde aquela voz tão suave e meiga vinha. Fui andando sempre em frente quando ouvi de novo aquela voz mas cada vez mais perto:
- Olá! Está ai alguém? – Disse eu.
Mas do outro lado, nada, ouvi apenas o meu eco que repetia a minha frase cada vês mais longe.
Estava concentrada no meu eco quando ouço a tal vos, desta vez dizendo para voltar para trás que estava a escurecer, mas eu limitei-me a responder:
- Nem penses! Vim até aqui porque tu me chamas-te, ultrapassei os meus medos, e agora tu queres que eu me vá embora?
A vos remeteu-se ao silencio.
Estive horas a andar pela floresta mas por fim tinha chegado á tal vos a fiquei surpreendida com o que vi.
- Olá – disse eu um pouco tímida e receosa.
- Olá – disse ele um pouco arrogante nas suas palavras.
- Tu não és aquele rapaz que estava ontem na cantina?
- Sim, sou, olha desculpa aquilo que se passou, soube que tiveste de limpar a cantina, desculpa.
- Não faz mal, mas como e que conseguiste fugir tão rápido se a cantina estava repleta de gente? Porque é que és tão frio? Porque é que fugiste? Porque me chamas-te até aqui?
- Desculpa não te posso responder a metade das tuas perguntas, apenas a uma!
- Mas porq …. - Interrompendo-me disse:
-chamei-te ate aqui para te pedir desculpa daquilo que se passou ontem.
E após ter dito aquelas palavras desapareceu diante dos meus olhos como que por magia.
Fui para casa, já muito tarde, dirigi-me ao meu quarto e adormeci a pensar no rapaz.
Durante a noite sonhei com ele, nesse sonho ele sussurrou-me ao ouvido que o seu nome era Edmundo.
De manhã fui a correr para a escola para contar tudo o que me tinha acontecido no dia anterior á minha amiga. Tinha finalmente encontrado a Mafalda, que quando me viu correu direito a mim a chorar. Eu preocupada perguntei:
-Olá Mafalda, o que se passou para estares assim?
- Olá, eu descobri uma coisa horrível!
- Mas o que foi, fala já não aguento mais ver-te assim!
- Eu descobri que… - fez uma longa pausa – eu descobri que sou adoptada.
Sem saber o que dizer limitei-me a um simples:
- Lamento! – Após ter dito aquela insignificante e estúpida palavra acariciei-lhe o cabelo e nem se quer tive coragem para lhe contar o que se tinha passado comigo.
Suou o toque da campainha o que nos indicava que era horas de irmos para as aulas. Ciências era o que nos estávamos a ter. Já todos tinham lugares definidos menos eu, nem me importava muito, fiquei de pé á frente de todos os alunos até que o professor me mandou sentar numa mesa vazia junto de uma janela branca com vista para o jardim da escola.
Nesse momento o tal rapaz invadiu-me de novo os meus pensamentos e interroguei-me várias vezes porque é que ele não me podia responder a todas aquelas perguntas?
Entretanto ouço um barulho ao meu lado era o rapaz que, enquanto se sentava a meu lado cumprimentava-me com um simples e frio “bom dia”.
Eu retribui com as mesmas palavras, mas cada vez que olhava para ele questionava sempre com as mesmas coisas.
Vi que ele ficou incomodado com o meu cheiro, pensei que se calhar fosse do meu novo perfume e resolvi perguntar mas tocou antes de eu ter prenunciado qualquer palavra.
No intervalo estava a lanchar com a minha amiga Mafalda quando o vi passar, fiquei a olhar para ele enquanto ele convivia com os seus amigos. Pensei em ir ter com ele mas entretanto a Mafalda chamou-me para ir dar uma volta.
Suou o toque da campainha fomos para a aula de Língua Portuguesa sentei-me de novo ao lado do rapaz mas desta vês ele disse-me com mais delicadeza:
- Olá, acho que não começamos da melhor maneira, eu sou o Edmundo.
- Eu sou a Leah, mas isso já tu sabias….
- Pois. (soltando um sorriso)
Notei que ele ainda estava um pouco incomodado com o meu cheiro mas não tive coragem de estragar aquele momento de prefeita harmonia que havia entre nós.
O dia tinha acabado, fui para casa com um objectivo….
Chegada a casa fui para o meu quarto e abri a tampa do computador, que estava em hibernação, abri uma página da internet e pesquisei “ seres sobrenaturais” encontrei lobisomens, bruxas, demónios, etc, com o cursor puxei a página para baixo até que encontrei “seres frios”, não hesitei em carregar, abri a página e comecei a ler o artigo, nele dizia: “ (…) esses seres poderão ser frios, ser muito brancos e ser rápidos nas suas acções, esses seres são chamados de Vampiros.”
Nesse momento o sangue que corria nas minhas veias tinha secado, aquela descoberta tinha sido como se eu tivesse posto os dedos molhados na fixa, um choque.
Não sabia o que havia de fazer, gritar, dizer a toda agente, dizer-lhe? Depois de muito pensar escolhi uma, dizer-lhe, corri até a floresta para ver se o encontrava mas não encontrei…
Pensei em ir a casa dele mas não sabia onde ele vivia, fiquei transtornada sem saber o que fazer. Aproveitei que estava naquela floresta, e fui dar uma volta para espairecer, mas não consegui, a ideia de estar a conviver todos os dias com um vampiro era horrível, mas ao mesmo tempo crescia um sentimento estranho dentro de mim, talvez fosse adrenalina ou aventura, não sabia bem explicar.
Estava a ficar escuro, fui para casa na esperança de o encontrar pelo caminho, cheguei a casa e tive de fazer um relatório completo ao meu pai de onde estive, com quem estive, porque é que vim tão tarde…. Fui comer qualquer coisa e fui para o meu quarto, não tinha nada para fazer por isso decidi acabar de ler o meu livro, “Eclipse”, estava numa parte interessantíssima quando ouvi o telemóvel do meu pai a tocar, ao princípio não liguei mas depois o meu pai aos gritos despertou-me a atenção, na sua conversa ele dizia:
_ “ Porque é que queres voltar? Estives-te tantos anos sem ligares á miúda e agora queres vê-la? È que nem penses! Por mim nunca mais voltas a pôr-lhe a vista em cima!”
E com estas palavras terminou a conversa, ainda não tinha percebido com quem é que ele estava a falar mas não ia descansar enquanto não descobrisse. A partir dali estaria atenta a todas a chamadas que o meu pai recebesse.
Chegara um novo dia, dia de aulas, estava nervosa, sentia “borboletas na barriga”, ia hoje confrontar o Edmundo com a verdade, tinha a noção que não ia ser fácil, pelo menos para mim, mas tinha de tentar.
Estava na entrada da escola á espera de o ver. No meio de uma multidão de jovens ele apareceu, como se fosse um raio de sol que estava tampado por um grupo de nuvens escuras. O nervosismo era tanto que quando o vi não aguentei, corri na sua direcção e dei-lhe um abraço tão apertado como se eu fosse um espremedor de sumo, foi um abraço inesperado, tanto para ele como para mim, mas foi único, foi como se o tempo tivesse parado naquele momento, mas eu cai em mim novamente, larguei-o e disse:
- Desculpa, não sei o que me deu, a sério desculpa.
- Não faz mal, mas estas com algum problema?
-Na verdade estou, e é mesmo muito grave, tem haver contigo.
- Diz, o que se passa!
- Não é fácil dizer isto, se eu contasse a alguém iria gozar comigo por isso não contei a ninguém. Eu sei que tu és um Vampiro.
Ele ficou normal, como se eu não tivesse dito nada, limitou-se a pegar na minha mão e levou-me para a mesma floresta da primeira vez.
Lá tivemos uma conversa mais profunda acerca do assunto, levou-me a casa e despediu-se de mim com longo beijo, fiquei um pouco vermelha e entrei depressa em casa, encostei-me a porta, no lado de dentro, e escorreguei por ela abaixo a pensar no beijo.
Fui para o meu quarto sem cumprimentar ninguém, abri a tampa do PC e comecei a escrever no meu diário tudo o que me tinha acontecido naquele dia.
Fiquei o resto da noite no meu quarto, apenas saí para jantar. No dia seguinte, de manhã, o telemóvel do meu pai voltou a tocar, com aquele toque estúpido só utilizado para números desconhecidos, calculei que fosse a mesma pessoa do outro dia, por isso levantei-me rapidamente, vesti o roupão e dirigi-me a porta do quarto do meu pai, que se encontrava fechada, para ouvir melhor a conversa. Estava atenta a cada palavra que o meu pai dissera mas não prenunciou o nome da tal pessoa!
Até que os ânimos exaltaram-se:
- Como? Tu queres o quê? É que nem penses tirar-me a minha filha! Eu não quero que ela se transforme num monstro como tu! Mas diz-me uma coisa, porque voltar? Estiveste 14 anos longe da Patrícia e agora queres a custódia da miúda? Nem penses, eu não vou perder a minha filha para uma mulher que nos abandonou!
Ao ouvir estas palavras cheias de ódio e de raiva fui para o meu quarto com uma dedução, a pessoa do outro lado do telemóvel era a minha mãe.
-não pode ser! Mas a minha mãe estava…, o meu pai disse-me! Só se ele… ah não pode ser!
O meu pai já estava na cozinha dirigi-me para perto dele e disse.
-pai precisamos de falar!
- Diz filha, já me setas a preocupar
- Eu vou ser muito directa! A mão está viva?
Fez-se um silêncio enorme naquela sala… O meu pai quebrou-o dizendo:
- Não, onde foste buscar essa ideia? O pai já te disse que…
Não o deixei terminar interrompendo-o disse:
-Pai diz-me a verdade por favor! A minha mãe está viva?
-tudo começou quando a tua mãe e eu estávamos numa fase menos boa. Era dia 29 de Janeiro, a tua mãe estava grávida, nós nessa tarde tínhamos discutido então ela foi dar uma volta, estava a chover, a tua mãe saio de carro e teve um acidente, sobrevivera, mas perdeu o bebé.
A tua mãe foi para hospital sem um único arranhão. Quando saio de lá não disse a ninguém e desapareceu. Durante semanas que não tivemos notícias dela, até que semanas depois ela apareceu.
- E depois? - Perguntei ao meu pai interrompendo-o
-E depois trouxe-nos uma notícia horrível:
Luís eu preciso que vejas uma coisa. – Disse a tua mãe e transformou-se mesmo a minha frente num lobo, lindo, era castanho esverdeado com olhos cor de mel e a chorar chegou perto de ti e depois partiu.
-“end of story “
Limpei as lágrimas que tinha nos olhos e apenas disse:
- Porque é que não me contaste logo a verdade?
- Tinha medo que não aceitasses a verdade! Tinha medo que achasses piada a ideia da tua mãe ser um lobo e já não quisesses estar comigo.
- Eu nunca iria fazer isso!
- Ainda bem
Depois daquelas lamechices todas surgiu uma pergunta na minha cabaça:
- Pai sabes onde é que a mãe está?
- Não, não sei mas ela ligou-me
- Quando ela voltar a ligar por favor deixa-me falar com ela.
O meu pai fez uma expressão de revolta e disse:
- Nem penses! Tu não vais falar com a tua mãe, ela nunca se preocupou contigo e agora é que se esta a preocupar?
- Eu odeio-te!
Disse isto com toda a minha raiva e saí de casa tendo o cuidado de não bater com a porta para não acordar a Mariana.
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