segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Capitulo III- o choque

Fui dar uma volta na esperança que Edmundo me lesse os pensamentos e viesse ter comigo, mas sabia que isso era impossível, ele não me lia os pensamentos. Passei pela floresta mas não entrei. A minha mente sabia exactamente o sitio onde queria estar, em casa da Mafalda, ela era a única que me compreendia. Cheguei a sua casa fui recebida por um cãozinho de pelo castanho claro, muito fofinho e simpático. Enquanto fazia festinhas no cãozinho vi uns ténis brancos, rosas e pretos, fui olhando para cima e era a Mafalda.
- olá Mafalda, eu estava só a… -interrompendo-me disse:
- Olá, tudo bem não faz mal e já agora é o fofinho!
- É não é, eu também achei! É teu?
- Não o nome do cão é fofinho e sim é meu!
- A ok – Pondo esta situação fiquei muito envergonhada e um pouco vermelha talvez!
- Então o que se passa? Porque vieste cá? Entra!
Eu entrei, ao passar a porta via-se um all que dava para a sala, a sala tinha dois sofás castanhos virados para um grande armário castanho um LCD preto e ao lado do sofá grande estava um recuperador de calor, as paredes eram brancas e no tecto havia um candeeiro lindíssimo, subimos as escadas, que se encontravam perto da sala. No andar de cima havia uma casa de banho, três quartos e uma sala de estar, fomos para o quarto da Mafalda, era grande, tinha paredes roxas e uma cama de casal com uma colcha a condizer, sentamo-nos na cama dela e começamos a falar.
Eu naquele dia descarregara tudo o que acumulado já á muito tempo.
Ela deu-me vários conselhos até que um me chamou a atenção:
- Segue o que o teu coração te diz, mas não interpretes as coisas como uma tragédia, porque depois as pessoas não têm a certeza se te contam as coisas ou não.
Não sabia onde ela queria chegar e isso fez-me pensar muito.
Estava na atura de voltar para casa, por um lado não queria muito ir, mas por outro estava preocupada com o meu pai, será que teria sido demasiado bruta com ele, ia muito concentrada nos meus pensamentos quando vi Edmundo a vir ma minha direcção, chegou perto de mim deu-me um beijo e disse:
- Então está tudo bem?
- Mais ou menos, o ambiente lá em casa está horrível e descobri uma coisa chocante!
- Posso saber o que foi?
 - Sim, eu descobri que não só a minha mãe está viva como também é um lobo! Dá para acreditar?
- O quê? A tua mãe é um lobo? Não pode ser!
- O que foi? Eu também aceitei o facto de tu seres um vampiro!
- Não tem nada a ver com a tua mãe… Tem a ver connosco!
- Porquê o que se passa?
- È uma longa história. Os lobos nunca se deram bem com os vampiros – e começou a contar a história acerca daquele assunto.
Não percebi quase nada da história, apenas consegui entender o básico, os lobos não se davam bem com os vampiros logo dividiram território.
- Sim mas ainda não percebi que é que tem esse assunto a ver connosco. – disse eu um pouco á nora.
- Tu podes vir a ser um lobo…
- Então se eu for um lobo isso quer dizer que não te posso voltar a ver nunca mais?
- Exacto.
- Mas não há nenhuma maneira para impedir isso?
- Tecnicamente não, só se…
- Só se o quê?
- Só se tu tiveres irmãos mais velhos…
- Não estou a perceber!
- Se tu tiveres irmãos mais velhos, filhos da tua mãe, eles podem ilibar-te de ficares com os poderes. Tendo a tua mãe dois filhos os poderes passaram para o filho mais velho.
- Pois… mas infelizmente não tenho… Não há mesmo mais nenhuma maneira?
- Não…
Dizendo estas palavras abraçou-me e levou-me a casa. Chegamos lá muito depressa, devido a rapidez do seu AUDI R8.
Por mais que me custasse tinha de me despedir dele, talvez para sempre…
Esperei um pouco antes de entrar em casa e respirei fundo, entrei e não estava ninguém em casa.
- Eu não acredito, mal uma pessoa sai de casa aproveitam logo para ir passear.
Dirigi-me á cozinha para começar a fazer o jantar, não sabia muito de culinária mas se não o fizesse a Sílvia ralhava comigo por eu não ter feito o que ela mandara.
O jantar era bifes com batatas fritas, tinha acabado de fazer a minha obra de arte quando ouvi um barulho de uma chave na porta era Sílvia, que assim que entrou em casa com a Mariana no ovinho, disse:
-ummm! Que cheirinho!
- Provavelmente cheira melhor do que sabe! – Disse eu.
-Espero bem que não!
Perguntei á Sílvia se sabia do Luís, mas ela apenas respondeu:
-Não sei, estou á horas a tentar ligar-lhe há horas mas ele não atende nem liga de volta. Já não sei o que fazer, são quase horas de jantar e ele não aparece! Começo a ficar muitíssimo preocupada.
Nesse momento fiquei com o coração aos pulos, a Sílvia não soubera da minha conversa com ele por isso não lhe podia contar o medo que tinha de ele ter ido falar com a minha mãe! Na verdade não era bem medo era mais ansiedade de a conhecer.   
Até que se ouviu o mesmo barulho de uma chave na porta, era ele, chegara molhado, o que me indicava que lá fora estava a chover, parecia chateado, estava pálido como se fosse um vampiro!
Os meus pensamentos já estavam a ir longe demais, o meu pai nunca poderia ser um vampiro! Aliás a palavra “vampiro” era expressamente proibida!
  Ao jantar apenas a Mariana e a televisão falavam, ate que a Sílvia quebrou o silêncio irritante que havia entre nós os três:
- Onde é que estiveste aquele tempo todo?
O meu pai olhou para mim intensamente, como se nunca me tivesse visto na vida, e disse:
-falamos depois.
Comecei a confirmar as minhas desconfianças, OK ele esteve com a minha mãe.
Deixei a Sílvia sair para a varanda, como fizera quase sempre depois do jantar, e fui falar com o meu pai:
- Pai, este tempo todo que estiveste fora foi só para reflectir ou encontraste-te com alguém?
Ele ficou um pouco inseguro da sua resposta e disse
- Eu não estive com ninguém, o que é que estas a querer insinuar?
-Ok, não percebeste onde eu queria chegar! Eu só queria saber se estiveste com a minha mãe.
O meu pai não me respondeu, o que me levou a ter a certeza de minha teoria, e fechou-se no quarto como se fosse um adolescente perturbado
Fui deitar-me mas não consegui adormecer, pensei em ligar em ligar á Mafalda mas já era tarde, e não me restava mais nada a não ser dormir. Estava quase a cair num sono profundo quando ouvi um barulho lá fora, fui ver o que era, no meio da escuridão apenas vi uma substancia branca que parecia ser peluda, vesti o roupão e saí pela porta de imergência para chegar lá abaixo mais depressa.
Quando cheguei á rua apenas vi uma cauda, deduzi que fosse um gato ou um cão, tentei ir atrás dele, mas não consegui, animal corria muito depressa, a cada passo que dava parecia ter 5kg em cada pata. Senti que já tinha visto aquele animal antes, senti que já o conhecia.
Voltei para o quarto, quando olhei para o despertador e pareceu-me ter visto o reflexo de Edmundo, voltei-me mas não esta lá ninguém, nem mesmo Edmundo, voltei-me mas não estava lá ninguém, nem mesmo o Edmundo, devia ter sido apenas a minha imaginação, e a minha vontade de o ver, a pregar-me uma “partida”.
Adormeci, finalmente, mas tive um sonho, nele eu vi a imagem de um lindo lobo cinzento avermelhado com uns brilhantes olhos esverdeados que tentavam em chorar, parecia querer dizer-me algo, mas não disse, apenas vi um bebé dentro de um berço a quem o lobo deu um beijo e se despediu com uma carícia. Senti uns abanões, era o Luís, dizendo sempre a mesma coisa:
- “ Levanta-te já estamos atrasados, se quiseres que eu te leve tens de te despachar!”
De repente aquele cenário desmoronou-se e tive de me levantar.
Por isso gritei, furiosa de ele me ter acordado:
-Pai eu hoje não vou contigo, uma colega minha vem-me buscar.
Não o estava a ver, mas estava a imaginara sua cara de indignado, contei até 3, baixinho, antes de ele começar a explodir. Após a minha contagem começou a disparatar:
- Mas com quem é que vais? Sabes bem que eu não gosto que andes de mota.
- Eu vou com a Mafalda e nós não vamos de mota, vamos a pé.
O meu pai limitou-se a responder com um simples “Ok”. Levantei-me, abri a porta do guarda-roupa mas, como sempre, não sabia o que havia de vestir. Peguei numas calças, de ganga, justas e numa camisola preta, comprida.
Já vestida fui ver TV até que a campainha tocou. O Edmundo tinha chegado.
Sim tinha mentido ao meu pai, mas se ele não gosta que eu ande de mota, muito menos iria gostar de saber que eu tinha namorado, ainda por cima um vampiro.
Cheguei lá abaixo estava Edmundo encostado á porta de traseira do seu AUDI R8, preto metalizado.
Cheguei junto dele e deu-lhe um beijo, ele retribuiu e abriu-me a porta do carro, entrei e fomos para a escola.
Quando chegamos, foi como se o mundo tivesse parado, toda a gente parou o que estava a fazer para olhar na nossa direcção, senti-me um pouco incomodada, mas depois foi como se o cenário mudasse, como se eu pertencesse á realeza e todos me fizessem uma vénia.
O Edmundo comportava-se como se tudo aquilo fosse normal, como se já estivesse habituado.
Entramos na sala de aula e sentamo-nos na mesma mesa de sempre. Ao seu lado sentia-me segura, mas ao mesmo tempo tinha medo… Medo de o perder… Medo de poder ser um lobo e ter de me separar dele para sempre.
A porta da sala era translúcida, por isso um vulto por detrás daquela porta chamou-me a atenção, parecia ser a silhueta de uma rapariga.
Esse vulto bate á porta, o professor manda-o entrar e por detrás daquela porta saiu uma rapariga lindíssima, era loura, tinha uns lindos olhos dourados, era alta e parecia ter muita auto-confiança. Entrou na sala e apresentou-se dizendo:
-Olá a todos, eu sou a Adriana, mas tratem-me por DI, tenho 17 anos, tal como vocês, e tenho a certeza que me vão adorar!
Após ter feito a sua apresentação, esboçou um sorriso direccionado ao Edmundo – “Será que já se conhecem?”- pensei, Edmundo não deu resposta, limitou-se a ficar sério como se não tivesse sido um sorriso mas sim um insulto. A tal rapariga sentou-se mesmo na mesa ao nosso lado.
Ela tinha qualquer coisa de especial, qualquer coisa que me prendeu o olhar nela, tal como aconteceu com o Edmundo. Tinha acabado as aulas e como habitual Edmundo levou-me a casa dizendo que amanhã me iria levar a sua casa para conhecer a sua família.
O ambiente em minha casa estava muito pesado, por isso no fim de jantar fui sair com a Mafalda, fomos dar uma volta, não sabia-mos por onde ir, sugeri ir-mos pela floresta.
Estávamos a andar quando de repente vejo um vulto a passar demasiado depressa á nossa frente, fiquei assustada. A Mafalda disse para não me preocupar, mas o seu rosto indicava o contrário, nele conseguia ver medo e receio, vi novamente o vulto mas desta vez veio na nossa direcção era um homem com pele branca, cabelo preto e curto, seguido dele apareceu mais duas mulheres, uma delas de cabelo liso e comprido e para meu espanto a outra era a Adriana, a nova aluna da escola.
Ambos tinham olhos vermelhos, -“mas como é que a Adriana podia ter os olhos vermelhos se ela tinha uns olhos tão bonitos, tão brilhantes” – pensei, entretanto a Adriana disse:
-Encontramo-la Sam, é esta que namora com o vampiro bonzinho.
-Já temos jantar. Disse a mulher do cabelo liso.
- Calma Kristen, não vamos começar sem primeiro nos apresentarmos a nossa comida! – disse Sam dirigindo-se a mim:
-Olá eu sou o Sam e estas são a Adriana e a Kristen. Peço desculpa pela má educação das minhas irmãs. E como se chama a nossa futura refeição?
Hesitei um pouco antes de responder, mas fiz-me de forte e disse:
-Leah. O que querem de mim?
Sam não disse nada, apenas sorriu, mas Kristen disse:
- Queremos que o teu namoradinho sofra tal como nós sofremos quando ele matou o nosso irmão Trasse. – Adriana completou:
- Como sabemos que ele ta adora resolvemos matar-te, para ele saber a dor de perder uma pessoa que amamos.
Não respondi, engoli em seco e fechei os olhos.
Sam estava mais afastado, mas aproximou-se, pegou-me no queixo e disse:
-Humm! Cheiras mesmo bem!
Preparava-se para me morder quando a Mafalda correu na nossa direcção e transformou-se, no ar, num lindo lobo, Sam afastou-se, ela aterrou mesmo á minha frente, era um lobo enorme, talvez do tamanho de um cavalo.
Envolveram-se numa luta, era assustador, três vampiros contra um lobo, mas ao mesmo tempo sentia adrenalina. Mafalda apenas conseguiu apanhar Sam, Adriana e Kristen fugiram.
Sam ainda deu luta mas Mafalda matou-o, desmembrou-o e queimou o corpo.
Não sabia o que havia de fazer nem de dizer, mas ela, já na sua forma normal, disse:
-Não precisas de dizer nada, vou ligar ao teu pai a dizer que vais ficar em minha casa esta noite e assim poderei explicar-te melhor o que se passou aqui.
Acenei com a cabeça, dizendo que sim, que seria melhor. Ela afastou-se para telefonar, cheguei perto das cinzas, tinha um cheiro horrível a carne queimada.
Olhei para a escuridão de floresta e vi Edmundo a correr na minha direcção, chegou perto de mim e deu-me um forte abraço e um longo beijo, e disse desesperado:
- Como estás? Estás bem? Não te aconteceu nada? Eu devia ter vindo mais cedo, desculpa! A minha irmã Kelly já tinha previsto isto! Desculpa!
Eu retribui-lhe o beijo e disse:
-Eu estou bem, a Mafalda protegeu-me e não precisas de pedir desculpa, eu sei que tu vieste o mais rápido que pudeste. Eu vou dormir em casa da Mafalda vai lá buscar-me amanhã.
-Ok, mas tens a certeza que estás bem?
-Sim.
A Mafalda aproximou-se de nós, vi que Edmundo ficou incomodado, coçou o nariz e disse:
-Podias-me ter dito que andavas com um sanguessuga, é porque eles tem um cheiro horrível!
Edmundo soltou um sorriso sereno.
Mafalda também sorriu para ele, um sorriso cúmplice, não percebi muito bem o que aquilo queria dizer, queria perguntar á Mafalda mas já tinha tantas perguntas para lhe fazer que decidi não acrescentar mais nenhuma. Entretanto Edmundo disse:
- Tenho de ir, ficas bem?
-sim, vai descansado.
- Amanha vou buscar-te a casa da Mafalda. – Deu-me um beijo de despedida e desapareceu no meio da escuridão.
- Vamos também? – Disse a Mafalda.
Eu limitei-me a abanar a cabeça para cima e para baixo.
Fomos pela floresta, muito devagar, o que não me agradava, não gostava de andar devagar, mas também não o ia dizer á Mafalda.
Não sei bem porquê, mas o facto de ela ser um lobo tinha-me deixado mais chocada do ter ficado a saber que o Edmundo era um vampiro. Talvez fosse por a minha mãe também ser um lobo. Talvez sim, talvez não tantas incertezas e nenhuma resposta…
Finalmente tínhamos chegado a casa da Mafalda, fomos directas para o quarto.
-Espera um pouco, vou só dizer a minha mãe que estamos em casa – disse Mafalda dando-me um pijama para eu vestir.
Não sei bem como o meu pai me deixou vir assim sem mais nem menos, acho que ele tem muita confiança na Mafalda, para ele ela era a filha prefeita. Interrompendo-me os pensamentos, Mafalda bateu á porta:
-Posso entrar?
-Sim, entra – disse eu.
Ela entrou e sentou-se na cama, olhou para mim e disse:
-Então tens alguma pergunta acerca daquilo que viste? Vi na tua cara que estavas um pouco chocada.
- sim de facto estava um pouco, mas como te transformaste em lobo? Tens descendência de alguém?
- Eu, eu não sei bem… Eu não sei quem é a minha família, eu desde que soube que sou adoptada já nem me conheço a mim… - Disse Mafalda com um ar triste, mas continuou:
- Eu acho que sou descendente de uma família de lobos, não devo ter irmãos, por isso, com a vinda de novos vampiros para a cidade, devo-me ter transformado por necessidade.
-Ah! Acho que já entendi, então os descendentes só se transformam se for mesmo necessário.
-Pelo que eu sei… sim é isso.
-Como todas as outras criaturas míticas, tu deves ter poderes!
-Sim, tenho.
De repente senti uma alegria incontrolável:
-E qual é? – disse eu com um sorriso nos lábios, que nem eu sabia explicar o porquê daquela alegria.
- O meu poder é isso mesmo que estas a sentir! O meu poder é provocar sentimentos inesperados nas pessoas.
-Ah! Só mais uma pergunta, os lobos também dormem?
- Sim, porque é que perguntas?
-Por nada, é que já é tarde, então eu vou para o meu quarto para tu poderes dormir.
-Não! Fica com o meu quarto, eu vou para o quarto de hóspedes.
A noite tinha sido muito longa, por fim Edmundo tinha chegado a casa da Mafalda. Eu ainda estava a dormir, a Mafalda deu pela sua presença, desceu e foi abrir a porta. Tiveram uma longa conversa, eu desci e interrompi-os, Edmundo olhou para mim como se me tivesse conhecido naquele preciso momento.
-bom dia, podias ter dito que ele já cá estava! – disse eu com um ar um pouco ensonado.
-Estavas a dormir tão profundamente que eu não te queria incomodar! – Disse Mafalda.
-Eu vou vestir-me e já desço.
Enquanto subia as escadas pensava que teria de vestir a mesma roupa.
 -Escolhe uma roupa que gostes do meu armário – Gritou Mafalda quase como se adivinhasse o que eu estava a pensar.
Com a pressa de ir ter com Edmundo nem respondi, abri as portas do armário e a cor que predominava era roxo.
Escolhi umas calças roxas, uma camisola preta e o meu casaco.
Vesti-me muito depressa e desci novamente:
-vamos? – disse ansiosamente
-Nervosa? – Perguntou-me Edmundo com um tom brincalhão.
-Um pouco! – Respondi.
Despedimo-nos da Mafalda e entramos no carro, a viagem foi longa, a sua casa era meio de uma floresta, um pouco distante do sitio onde eu morava, era uma casa enorme, era branca, quadrada, tinha um designe moderno, ao lado tinha um peque riacho, tinha duas garagens com portões pretos, e um jardim na frente da casa.
-Uau! É tão linda a tua casa! – disse eu uma pouco admirada com toda aquela beleza .
-Vamos entrar? – disse Edmundo.
-Sim, vamos – disse aquele sim um pouco receosa, tinha medo que eles fossem antipáticos e anti-sociais. Sabia que a qualquer momento podia ser a refeição, mas queria correr esse risco na mesma.
A porta de entrada era castanha com duas grandes rectângulos feitos de vidros. Por detrás dessa porta estava uma maravilhosa sala decorada com mobília moderna. Os móveis eram pretos, os sofás brancos, ao canto da sala tinha um bar e em frente dos sofás tinha um móvel com um grande plasma. Sentado no sofá estava um rapaz com o cabelo castanho-escuro, quase preto, com olhos castanhos que quando nos viu levantou-se e sorriu.
-Olá eu sou o Emy. – Disse o rapaz que estava sentado no sofá.
- Olá eu sou a Leah – Disse eu com boa impressão acerca dele.
-Bem, vamos passar a divisão seguinte? – Perguntou Edmundo.
-Se quiseres eu posso fazer a visita guiada por ti! – Disse Emy para Edmundo.
-Não deixa estar não te incomodes – Disse Edmundo tentando não se exaltar.
Prosseguimos para a cozinha que, mais uma vez, estava equipada com mobília moderna, lá estava uma senhora loura, com olhos verdes e tinha um ar simpático.
Também lá estava um senhor de cabelo castanho, com uns lindos olhos azuis, parecia ser uma pessoa muito pacífica.
-Estes são os meus pais, Esmeralda e Robert.
-Olá Leah, estamos a preparar um almoço especial para ti, espero que gostes. – Disse Esmeralda com um ar doce e maternal.
-Olá Leah, é um prazer ter-te aqui em casa – Disse Robert com uma voz delicada e suave.
Fomos para a sala de jantar, era uma sala bonita, era simples , limitava-se a ter uma mesa, branca e rectangular, no meio, com oito cadeiras em volta da mesa. A sala estava vazia, mas depressa encheu, tinha chegado mais três membros da família.
-Estas são a kelly e a Penny e este é o Félix. – Disse Edmundo.
A Kelly tinha um ar simpático e extrovertido, ao contrário de Penny.
A Penny era do género de vampiro, do qual eu tanto receava. Ela parecia ser antipática e fria.
O Félix tinha um ar de assustado, ou eu muito me enganava ou então ele era recém-nascido. Os seus olhos ainda eram meio avermelhados e o seu ar assustado na presença de humanos, denunciava-o.
A família estava apresentada.
Todos foram muito simpáticos comigo, menos uma, a kelly. Não percebia muto bem o porque de ela ser assim, sentia que dentro daquela família havia uma grande descriminação por ela, sentia que toda a gente achava que ela se comportava como uma criança, como se ela fizesse todas aquelas coisa apenas para chamar a atenção.
Isso era completamente mentira, ninguém faz “disparates” apenas para chamar a atenção! Ela pode ter tido problemas no passado, pode não ter escolhido se ser vampira era mesmo o que ela queria.
Mas mais uma vez não tinha a certeza de nada. Podia perguntar a Edmundo, mas assim parecia que queria saber de mais, iria deixar que o tempo respondesse a essas perguntas. Tinha chegado a hora de ir embora.
Edmundo foi calado toda a viagem, parecia estar perdido nos seus pensamentos. Não me atrevi a iniciar uma conversa. Vi que o seu olhar transmita preocupação.
Quando olhei pela janela vi que estava em casa, despedi-me do Edmundo e entrei pela porta principal do prédio onde morava. Subi as escadas, entrei em casa, cumprimentei  toda a gente


terça-feira, 24 de agosto de 2010

Capitulo II- A descoberta

Tinham-se passado vários meses até que o verão chegou, o dia tinha outra cor, ouvia-se pequenos pássaros de todas as cores a cantar e as flores maiores que nunca.
Nesse dia de verão sentia-me completamente sozinha, a minha nova e única amiga teve de se ausentar. A pior parte do dia foi a hora de almoço, centenas de alunos a correr formando uma fila que quase chegava fora do edifício. A cantina tinha azulejos pretos e cor-de-rosa e estava quase sempre cheia, e naquele dia não era excepção.
Parada no meio da cantina, com o tabuleiro na mão, olhava a meu redor para encontrar um lugar, passando pelo meio de todas aquelas pessoas consegui uma mesa, mas estava ocupada por um rapaz, parecia ser alto, magro, tinha cabelo castanho e olhos claros. Era e criatura mais linda que eu alguma vês vira!
Ele estava sentado numa ponta da mesa e eu sentei-me noutra. Recusei-me a olhar para ele directamente mas não consegui resistir, olhei-o fixamente, como se ele fosse a única estrela que existira no mundo, ele reparou e ficou incomodado, eu queria pedir-lhe desculpa mas faltou-me e coragem e a vergonha apoderou-se de mim…
Levantamo-nos os dois em simultâneo para alcançar o jarro da água, que se encontrava no meio da mesa. A minha mão tocou na dele e deixei cair o jarro, espalhando toda a água que nele havia. As suas mãos eram geladas e a sua pele era tão branca como a neve, nesse instante ganhei coragem para lhe pedir desculpa mas quando olhei para trás ele tinha desaparecido.
Acabou as aulas e fui para casa, passei o caminho todo a pensar como terá ele ficado, porque é que as suas mãos eram geladas e a sua pele tão branca.
Cegada a casa cumprimentei a Sílvia e a minha pequena irmã e fui para o meu quarto fazer os trabalhos de casa, entretanto aquele rapaz invadiu-me os meus pensamentos mas fui obrigada a tira-lo da cabeça porque tinha teste no dia seguinte. Amanheceu, era sexta-feira 13, normalmente era dia de azar mas eu nunca fui muito de ligar a essas coisas por isso fiz de tudo para que o dia corresse normalmente, mas não correu.
Cheguei a escola mas não estava ninguém, comecei a pensar que talvez fosse feriado…
De repente ouço uma voz de um tom suave e meigo a gritar o meu nome, segui o som que me levou a uma escura e sombria floresta. Avancei um pouco mas o medo apoderou-se de mim.
Finalmente enchi-me de coragem e entrei naquela floresta. De repente aquela imagem que tinha daquela floresta desapareceu … Fiquei deslumbrada com o que vi, nessa floresta havia uma gigante cascata e montes de flores de todas as cores.
Mas ainda faltava descobrir de quem e de onde aquela voz tão suave e meiga vinha. Fui andando sempre em frente quando ouvi de novo aquela voz mas cada vez mais perto:
- Olá! Está ai alguém? – Disse eu.
Mas do outro lado, nada, ouvi apenas o meu eco que repetia a minha frase cada vês mais longe.
Estava concentrada no meu eco quando ouço a tal vos, desta vez dizendo para voltar para trás que estava a escurecer, mas eu limitei-me a responder:
- Nem penses! Vim até aqui porque tu me chamas-te, ultrapassei os meus medos, e agora tu queres que eu me vá embora?
A vos remeteu-se ao silencio.
Estive horas a andar pela floresta mas por fim tinha chegado á tal vos a fiquei surpreendida com o que vi.
- Olá – disse eu um pouco tímida e receosa.
- Olá – disse ele um pouco arrogante nas suas palavras.
- Tu não és aquele rapaz que estava ontem na cantina?
- Sim, sou, olha desculpa aquilo que se passou, soube que tiveste de limpar a cantina, desculpa.
- Não faz mal, mas como e que conseguiste fugir tão rápido se a cantina estava repleta de gente? Porque é que és tão frio? Porque é que fugiste? Porque me chamas-te até aqui?
- Desculpa não te posso responder a metade das tuas perguntas, apenas a uma!
- Mas porq …. - Interrompendo-me disse:
-chamei-te ate aqui para te pedir desculpa daquilo que se passou ontem.
E após ter dito aquelas palavras desapareceu diante dos meus olhos como que por magia.
Fui para casa, já muito tarde, dirigi-me ao meu quarto e adormeci a pensar no rapaz.
Durante a noite sonhei com ele, nesse sonho ele sussurrou-me ao ouvido que o seu nome era Edmundo.
De manhã fui a correr para a escola para contar tudo o que me tinha acontecido no dia anterior á minha amiga. Tinha finalmente encontrado a Mafalda, que quando me viu correu direito a mim a chorar. Eu preocupada perguntei:
-Olá Mafalda, o que se passou para estares assim?
- Olá, eu descobri uma coisa horrível!
- Mas o que foi, fala já não aguento mais ver-te assim!
- Eu descobri que… - fez uma longa pausa – eu descobri que sou adoptada.
Sem saber o que dizer limitei-me a um simples:
- Lamento! – Após ter dito aquela insignificante e estúpida palavra acariciei-lhe o cabelo e nem se quer tive coragem para lhe contar o que se tinha passado comigo.
Suou o toque da campainha o que nos indicava que era horas de irmos para as aulas. Ciências  era o que nos estávamos a ter. Já todos tinham lugares definidos menos eu, nem me importava muito, fiquei de pé á frente de todos os alunos até que o professor me mandou sentar numa mesa vazia junto de uma janela branca com vista para o jardim da escola.
Nesse momento o tal rapaz invadiu-me de novo os meus pensamentos e interroguei-me várias vezes porque é que ele não me podia responder a todas aquelas perguntas?
Entretanto ouço um barulho ao meu lado era o rapaz que, enquanto se sentava a meu lado cumprimentava-me com um simples e frio “bom dia”.
Eu retribui com as mesmas palavras, mas cada vez que olhava para ele questionava sempre com as mesmas coisas.
Vi que ele ficou incomodado com o meu cheiro, pensei que se calhar fosse do meu novo perfume e resolvi perguntar mas tocou antes de eu ter prenunciado qualquer palavra.
No intervalo estava a lanchar com a minha amiga Mafalda quando o vi passar, fiquei a olhar para ele enquanto ele convivia com os seus amigos.  Pensei em ir ter com ele mas entretanto a Mafalda chamou-me para ir dar uma volta.
Suou o toque da campainha fomos para a aula de Língua Portuguesa sentei-me de novo ao lado do rapaz mas desta vês ele disse-me com mais delicadeza:
- Olá, acho que não começamos da melhor maneira, eu sou o Edmundo.
- Eu sou a Leah, mas isso já tu sabias….
- Pois. (soltando um sorriso)
Notei que ele ainda estava um pouco incomodado com o meu cheiro mas não tive coragem de estragar aquele momento de prefeita harmonia que havia entre nós.
O dia tinha acabado, fui para casa com um objectivo….
Chegada a casa fui para o meu quarto e abri a tampa do computador, que estava em hibernação, abri uma página da internet e pesquisei “ seres sobrenaturais” encontrei lobisomens, bruxas, demónios, etc, com o cursor puxei a página para baixo até que encontrei “seres frios”, não hesitei em carregar, abri a página e comecei a ler o artigo, nele dizia: “ (…) esses seres poderão ser frios, ser muito brancos e ser rápidos nas suas acções, esses seres são chamados de Vampiros.”
Nesse momento o sangue que corria nas minhas veias tinha secado, aquela descoberta tinha sido como se eu tivesse posto os dedos molhados na fixa, um choque.
Não sabia o que havia de fazer, gritar, dizer a toda agente, dizer-lhe? Depois de muito pensar escolhi uma, dizer-lhe, corri até a floresta para ver se o encontrava mas não encontrei…
Pensei em ir a casa dele mas não sabia onde ele vivia, fiquei transtornada sem saber o que fazer. Aproveitei que estava naquela floresta, e fui dar uma volta para espairecer, mas não consegui, a ideia de estar a conviver todos os dias com um vampiro era horrível, mas ao mesmo tempo crescia um sentimento estranho dentro de mim, talvez fosse adrenalina ou aventura, não sabia bem explicar.
Estava a ficar escuro, fui para casa na esperança de o encontrar pelo caminho, cheguei a casa e tive de fazer um relatório completo ao meu pai de onde estive, com quem estive, porque é que vim tão tarde…. Fui comer qualquer coisa e fui para o meu quarto, não tinha nada para fazer por isso decidi acabar de ler o meu livro, “Eclipse”, estava numa parte interessantíssima quando ouvi o telemóvel do meu pai a tocar, ao princípio não liguei mas depois o meu pai aos gritos despertou-me a atenção, na sua conversa ele dizia:
_ “ Porque é que queres voltar? Estives-te tantos anos sem ligares á miúda e agora queres vê-la? È que nem penses! Por mim nunca mais voltas a pôr-lhe a vista em cima!”
E com estas palavras terminou a conversa, ainda não tinha percebido com quem é que ele estava a falar mas não ia descansar enquanto não descobrisse. A partir dali estaria atenta a todas a chamadas que o meu pai recebesse.
Chegara um novo dia, dia de aulas, estava nervosa, sentia “borboletas na barriga”, ia hoje confrontar o Edmundo com a verdade, tinha a noção que não ia ser fácil, pelo menos para mim, mas tinha de tentar.
Estava na entrada da escola á espera de o ver. No meio de uma multidão de jovens ele apareceu, como se fosse um raio de sol que estava tampado por um grupo de nuvens escuras. O nervosismo era tanto que quando o vi não aguentei, corri na sua direcção e dei-lhe um abraço tão apertado como se eu fosse um espremedor de sumo, foi um abraço inesperado, tanto para ele como para mim, mas foi único, foi como se o tempo tivesse parado naquele momento, mas eu cai em mim novamente, larguei-o e disse:
- Desculpa, não sei o que me deu, a sério desculpa.
- Não faz mal, mas estas com algum problema?
-Na verdade estou, e é mesmo muito grave, tem haver contigo.
- Diz, o que se passa!
- Não é fácil dizer isto, se eu contasse a alguém iria gozar comigo por isso não contei a ninguém. Eu sei que tu és um Vampiro.
Ele ficou normal, como se eu não tivesse dito nada, limitou-se a pegar na minha mão e levou-me para a mesma floresta da primeira vez.
Lá tivemos uma conversa mais profunda acerca do assunto, levou-me a casa e despediu-se de mim com longo beijo, fiquei um pouco vermelha e entrei depressa em casa, encostei-me a porta, no lado de dentro, e escorreguei por ela abaixo a pensar no beijo.
Fui para o meu quarto sem cumprimentar ninguém, abri a tampa do PC e comecei a escrever no meu diário tudo o que me tinha acontecido naquele dia.
Fiquei o resto da noite no meu quarto, apenas saí para jantar. No dia seguinte, de manhã, o telemóvel do meu pai voltou a tocar, com aquele toque estúpido só utilizado para números desconhecidos, calculei que fosse a mesma pessoa do outro dia, por isso levantei-me rapidamente, vesti o roupão e dirigi-me a porta do quarto do meu pai, que se encontrava fechada, para ouvir melhor a conversa. Estava atenta a cada palavra que o meu pai dissera mas não prenunciou o nome da tal pessoa!
Até que os ânimos exaltaram-se:
- Como? Tu queres o quê? É que nem penses tirar-me a minha filha! Eu não quero que ela se transforme num monstro como tu! Mas diz-me uma coisa, porque voltar? Estiveste 14 anos longe da Patrícia e agora queres a custódia da miúda? Nem penses, eu não vou perder a minha filha para uma mulher que nos abandonou!
Ao ouvir estas palavras cheias de ódio e de raiva fui para o meu quarto com uma dedução, a pessoa do outro lado do telemóvel era a minha mãe.
-não pode ser! Mas a minha mãe estava…, o meu pai disse-me! Só se ele… ah não pode ser!
O meu pai já estava na cozinha dirigi-me para perto dele e disse.
-pai precisamos de falar!
- Diz filha, já me setas a preocupar
- Eu vou ser muito directa! A mão está viva?
Fez-se um silêncio enorme naquela sala… O meu pai quebrou-o dizendo:
- Não, onde foste buscar essa ideia? O pai já te disse que…
Não o deixei terminar interrompendo-o disse:
-Pai diz-me a verdade por favor! A minha mãe está viva?
-tudo começou quando a tua mãe e eu estávamos numa fase menos boa. Era dia 29 de Janeiro, a tua mãe estava grávida, nós nessa tarde tínhamos discutido então ela foi dar uma volta, estava a chover, a tua mãe saio de carro e teve um acidente, sobrevivera, mas perdeu o bebé.
A tua mãe foi para hospital sem um único arranhão. Quando saio de lá não disse a ninguém e desapareceu. Durante semanas que não tivemos notícias dela, até que semanas depois ela apareceu.
- E depois? - Perguntei ao meu pai interrompendo-o
-E depois trouxe-nos uma notícia horrível:
Luís eu preciso que vejas uma coisa. – Disse a tua mãe e transformou-se mesmo a minha frente num lobo, lindo, era castanho esverdeado com olhos cor de mel e a chorar chegou perto de ti e depois partiu.
-“end of story “
Limpei as lágrimas que tinha nos olhos e apenas disse:
- Porque é que não me contaste logo a verdade?
- Tinha medo que não aceitasses a verdade! Tinha medo que achasses piada a ideia da tua mãe ser um lobo e já não quisesses estar comigo.
- Eu nunca iria fazer isso!
- Ainda bem          
Depois daquelas lamechices todas surgiu uma pergunta na minha cabaça:
- Pai sabes onde é que a mãe está?
 - Não, não sei mas ela ligou-me
- Quando ela voltar a ligar por favor deixa-me falar com ela.
O meu pai fez uma expressão de revolta e disse:
- Nem penses! Tu não vais falar com a tua mãe, ela nunca se preocupou contigo e agora é que se esta a preocupar?
- Eu odeio-te!
Disse isto com toda a minha raiva e saí de casa tendo o cuidado de não bater com a porta para não acordar a Mariana.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Capitulo I- A mudança

Numa tarde sóbria e fria de inverno, numa sala escura e vazia, estava eu só eu e os meus pensamentos, que vagueavam por aquele espaço vazio mas ao mesmo tempo cheio de tristeza, de mágoas e de rancor, que só uma pessoa sem sentimentos é que não notava.
Essa tarde tinha marcado uma grande reviravolta na minha vida, tinha-me mudado para um pequeno apartamento branco com muitas janelas pequenas viradas para o longínquo horizonte. Dirigi-me a grande varanda da casa que tinha uma paisagem deslumbrante para uma pequena, mas maravilhosa, cascata. Essa paisagem, que como por magia falava na minha mente, fez-me mergulhar novamente num imenso mar de pensamentos mas desta vez ouvi uma voz de tom grave e forte a chamar por mim, era o Luís, meu pai, que me perguntava:
- Então gostas da nova casa?
Insegura da minha resposta e com muita tristeza no olhar, mas tentando ser convincente, disse:
- Sim pai, gosto, tem uma paisagem maravilhosa!
O meu pai notou que eu estava um pouco triste e insistiu várias vezes o que se passava, mas eu tentava em dizer que estava tudo bem enquanto tomava conta da minha pequena irmã, Mariana.
Anoiteceu, estava eu no meu quarto a ler um livro cujo nome era “Eclipse”, uma história fascinante e cativante de duas pessoas completamente diferentes, Edward- um vampiro e Bella- um sere humano comum como todos os outros. Estava concentrada e entregue de corpo e alma ao livro até que ouço a mesma voz de a pouco:
- Vai deitar-te que amanhã vamos tratar dos papéis de transferência para a tua nova escola.
Disse o meu pai com um ar de ensonado. Eu limitei-me a ficar calada, como uma criança quando os pais lhe ralham, e fui obrigada a arrancar o livro e a sua história da minha mente, fui dormir com esperança que na manhã seguinte tudo mudaria.
Amanheceu, enquanto tomava o pequeno-almoço, imaginava como seria a nova escola.
Saímos de casa e descemos as escadas de pedra mármore com um corrimão brilhante e castanho em que ao passar a mão ela escorregava.
A viagem no carro foi silenciosa, como se não estivesse lá ninguém. Quando cheguei a escola os meus olhos depararam-se com um edifício maravilhoso cheio de cor e transbordava de alegria.
As paredes eram cor-de-rosa e roxas e cá fora o jardim cheio de flores e a relva tão verde quanto as folhas das árvores do verão.
Entrei dentro desse espantoso edifício e a única coisa que se via era sorrisos estampados na cara dos funcionários e professores.
Por fim chegou a altura do meu pai me deixar sozinha naquele mundo desconhecido e repleto de mistérios e curiosidades por descobrir.
Sentada a um canto no interior do bar da escola, estava uma rapariga de estatura média, loura, com olhos claros e com um ar de pensativa. Á medida que o tempo ia passando a minha curiosidade ia aumentando e a vontade de a conhecer crescia dentro de mim como se fosse uma planta regada pela chuva e iluminada pela luz do sol. Ate que um dia a vi chorar, ganhei coragem e fui ter com ela, o seu olhar transmitia tristeza e da sua boca saíam palavras escuras e repletas de contínuos desabafos. Estivemos horas a fio, depois da escola, a falara como se nos conhecesse-mos á oito anos, terminada a conversa descobri que a vida de Mafalda não era fácil. Ela vivia rodeada de incógnitas e cenários por descobrir.